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Bahia registra mais de 700 casos de sífilis este ano

A doença é responsável por grande parte das mortes de recém-nascidos

Rayllanna Lima | 16/10/2015 - 09:43

Os casos de sífilis adquirida cresceram muito nos últimos anos. Somente este ano, foram computadas 733 notificações de casos da doença infecciosa nas planilhas da Secretária de Saúde do Estado da Bahia (Sesab). A doença é responsável por grande parte das mortes de recém-nascidos. Para alertar a população, o governo do Estado está promovendo uma série de atividades, marcando o Dia de Combate à Sífilis, que acontece amanhã (17).

De acordo com estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), 12 milhões de novos casos devem ocorrer a cada ano no Brasil. Na gestação, a doença é responsável por 29% dos óbitos perinatal (feto ou recém-nascido), 11% de óbitos neonatais (primeira semana) e 26% de natimortos (morte dentro do útero ou na hora do parto).

Na Bahia, das 733 notificações, 430 foram em pacientes do sexo feminino, 303 do masculino, além de 558 casos congênita. A fim de dar maior visibilidade à sífilis e à sífilis congênita como grave problema de saúde pública do Estado, a Sesab, através do Grupo de Trabalho de Combate à Sífilis Congênita, está promovendo atividades programadas, palestras, mesa redonda e sessão científica. 
O cronograma foi iniciado na tarde de ontem (15), com Web Palestra do médico Roberto Fontes sobre o tema “Manejo da Sífilis em Adulto”. O evento foi realizado na sede da Fundação Estatal de Saúde da Família (FESF).

Na próxima quarta-feira (21), às 10h, a médica pediatra Margareth Handan profere, no mesmo local, uma Web Palestra sobre “A criança com sífilis na Atenção Básica”. Já no dia 23, sexta-feira, às 8h, acontece um evento comemorativo ao Dia do Combate à Sífilis, na sede do Ministério, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). 

O cronograma de atividades será encerrado no dia 29, com sessão científica sobre a Situação atual da Sífilis na Bahia, que acontece no Centro de Atenção à Saúde (CAS), às 9h.

A doença
Doença infectocontagiosa, sexualmente transmissível, a sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum, geralmente transmitida via sexual (adquirida), ou da mãe para o bebê (congênita). Para a médica infectologista Nanci Silva, existe uma negligência por parte das mães que não realizam o pré-natal.

“Toda gestante deve fazer o exame para detectar sífilis. É preciso prestar atenção na palavra assintomática. Quando a doença é secundária, se não tratada, a pessoa passa anos com sífilis latente [que evolui silenciosamente]. Muitas vezes a pessoa é portadora e nem sabe”, explicou.

De acordo com a especialista, um dos fatores decorrentes do aumento de sífilis é a transmissão via sexo oral. “Muita gente desconhece que pode adquirir através do sexo oral. Estou identificando muitos destes casos. As pessoas lembram-se da camisinha pênis/vagina/ânus e esquecem da camisinha boca. Sexo sempre com camisinha, até mesmo o oral”, aconselhou.

Após a doença ser detectada, é o médico quem recomenda o tratamento adequado. É fundamental realizar o tratamento precoce adequado do paciente e seus parceiros sexuais e ações de prevenção, com o objetivo de informar a população sobre a doença e formar de evitá-la, visando interromper a cadeia de transmissão, conforme alertam os especialistas.
 

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