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Aumenta a procura por cursos técnicos

Na Bahia, são 19 cursos profissionalizantes presenciais, cujas mensalidades variam de R$ 255 a R$ 410, além do Ensino a Distância (EAD), que sai a partir de R$ 195

Matheus Fortes | 10/05/2017 - 10:20

Após enfrentarem um período de queda de alunos, devido a criação de diversas instituições de ensino superior no País, os cursos técnicos estão voltando a tomar fôlego em todo território nacional. E o motivo tem sido justamente a procura pelo seu maior empregador, a indústria, que tem encontrado dificuldades para achar profissionais qualificados para atuarem no setor. 

Essa demanda também encontra reflexos na Bahia, onde a necessidade por profissionais é maior do que aqueles que se qualificam pelos cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). De acordo com a gerente de Educação Profissional da entidade na Bahia, Patrícia Evangelista, mais de 75% dos alunos, tem saído dos cursos já empregados.

“É uma opção interessante, pois o profissional consegue acessar de forma rápida o mercado de trabalho, a fim de atender a demanda represada da indústria”, destacou a gerente. Diferente do ensino superior, os cursos técnicos duram entre 18 a 24 meses, e, tendo um contato mais direto com as empresas empregadoras, acabam por dar um retorno mais rápido ao investimento.

Fora isso, o serviço possui um Núcleo de Carreira Profissional para o aluno, que tem capacidade de orientá-lo, seja nas questões mais simples, como a preparação para uma entrevista de emprego e montagem do currículo, como aquelas que envolvem mais tempo, para explorar a vocação dos estudantes.  

Na Bahia, são 19 cursos profissionalizantes presenciais, cujas mensalidades variam de R$ 255 a R$ 410, além do Ensino a Distância (EAD), que sai a partir de R$ 195. Atualmente, o serviço conta com 12 mil alunos baianos, sendo que, no último processo seletivo, ingressaram 3.740 novos alunos. 

Os cursos mais procurados, segundo Patrícia, são aqueles onde também há uma grande variedade de empresas interessadas, por abrangerem uma atuação em comum em todas elas.  É o caso da Segurança do Trabalho, Logística, e Eletrotécnica. 
Ainda assim, modalidades mais específicas, como a Petroquímica, Edificações e Eletromecânica também são muito buscados, devido à carência de profissionais nessas áreas, e que tem levado a uma aproximação constante das empresas com os serviços de aprendizagem, atrás de profissionais com essas qualificações. 

Atualmente, o Senai Bahia dispõe de 4.500 vagas disponíveis, e possui o acesso facilitado, sobretudo para as famílias com poucos recursos financeiros: o serviço oferta todos anos 450 bolsas integrais de estudo aos alunos de baixa renda comprovada, que tenham atingido 550 pontos na mais recente edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

Se formando recentemente em Eletrotécnica, Douglas Souza explica que deu início ao curso, ainda sem saber exatamente o que queria exatamente. Mas, agora, passada toda a parte teórica, e estagiando numa empresa de especialidades químicas, ele se vê apaixonado pela área de atuação. 

“É interessante por ser um curso que nunca vai ter crise, ele move o mundo, e toda tecnologia que surge, está envolvida com ele. Pode-se trabalhar com projetos, produção industrial, instalação residencial, telefonia, montagem de painéis, etc,”, destaca o estudante, que está otimista com a possibilidade de contratações, após o término do estágio.  

Houve mudança no perfil dos alunos interessados

De acordo com Patrícia Evangelista, nos últimos dois anos, o próprio perfil dos alunos tem mudado. Nas últimas décadas, o Senai era mais procurado por profissionais, muitas vezes já  graduados, ou com uma experiência considerável em sua área de atuação, tendo faixa etária média de 35 anos. 

“Já nos últimos dois anos, o que se nota é que aumentou o número de jovens entre 18 e 25 anos nos cursos. Ou seja, hoje é o jovem que está apostando na formação técnica”, destacou. Além destes, a crise econômica exerceu influência no meio: o curso técnico passou a ser uma alternativa para aquele que, sem perspectivas de um novo emprego, optou por mudar a área profissional. 

 ”Como passamos por momentos difíceis, nesses últimos dois anos, muitas pessoas estão mudando de área e identificando nos cursos técnicos, e oportunidade de abrir novos caminhos profissionais, novas oportunidades. Há casos de alunos, por exemplo, que pegaram parte de sua rescisão e investiram no curso técnico, como uma forma de voltar mais rápido ao mercado de trabalho”, explica a gerente. 

Especialização 
 O salário inicial para os profissionais com curso técnico normalmente variam de R$ 1.200 a R$ 2.500 a depender da empresa e da sua área de atuação, porém, mesmo quem opta por ingressar nesse mercado deve se atualizar constantemente, não apenas para aumentar a remuneração, e sim porque a mesma área técnica passa por constantes transformações. 

Conforme explica a gerente de Educação Profissional, a melhor forma de se atualizar é através de novos minicursos de especialização. E, pensando novamente no profissional da indústria, o Senai Bahia, deverá começar a ofertar entre seus serviços no próximo semestre, os chamados cursos pós-técnicos.

 Segundo Patrícia, serão seis cursos do gênero, voltados para os profissionais de formação industrial. Mas, assim como acontece no ensino superior, o pós-técnico tem um duração menor, variando de seis meses a um ano, a depender da modalidade.

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