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PE: polícia investiga caso mais grave do jogo Baleia Azul

Jovem moradora da Zona Oeste do Recife estava com o corpo todo flagelado e uma cruz riscada no peito

Leia Já, site parceiro da Tribuna da Bahia Online | 12/05/2017 - 15:49
Foto: Brenda Alcântara/LeiaJáImagens
Provavelmente como parte dos desafios, jovem publicou uma foto do seu corpo flagelado

Mais um caso do jogo Baleia Azul está sendo investigado pela polícia em Pernambuco. Desta vez, a vítima é uma jovem de 19 anos, moradora do bairro da Iputinga, Zona Oeste do Recife. Este está sendo considerado o caso mais grave investigado no Estado e a polícia acredita que a vítima estava prestes a realizar a última fase, de se matar.

Uma imagem divulgada pela própria jovem no Facebook mostra seu corpo cheio de cortes de navalha e estilete – inclusive com uma cruz riscada na região do tórax. Segundo a mãe da mulher, a filha sempre foi introspectiva mas a situação se agravou nos últimos três meses.

A mãe da jovem procurou a Delegacia do Cordeiro na última quarta-feira (10). Ela havia sido informada por parentes da foto que a filha postou no Facebook e pediu que a adolescente mostrasse o seu corpo, o que ela fez a contragosto. 

Na última quinta-feira (11), a vítima passou praticamente toda a tarde na delegacia, mas a polícia não conseguiu tirar uma única informação porque ela não está mais falando. A jovem foi encaminhada para o Instituto de Medicina Legal (IML) para exame traumatológico, mas o levantamento foi parcial porque ela se recusou a mostrar todos os ferimentos.

“Ela ainda está sob o subjulgo do curador do jogo Baleia Azul”, resumiu o chefe da Polícia Civil, Joselito Kehrle. De acordo com o delegado do Cordeiro, Carlos Couto, o interesse da garota é voltar para o jogo e ela tem tentado persuadir os pais para que volte a usar a internet. 

Os contatos eram feitos através do Messenger, aplicativo de troca de mensagens do Facebook. Os policiais conseguiram alguns trechos de mensagens.

Em um deles, o curador solicita que a jovem suba no prédio mais alto e lá ela receberia mais um desafio. “Acreditamos que o próximo passo seria pedir que ela pulasse”, avalia Kehrle. 

A mãe, que não quis se identificar, também esteve na delegacia nesta sexta-feira (12) para conversar com a imprensa. Ela é genitora de três pessoas, um homem de 27 anos, a vítima do jogo Baleia Azul e a caçula de 17 anos.

A mulher diz que a filha sempre foi introspectiva, mas que também tem histórico de traumas. “Quando ela tinha entre sete e oito anos, ela sofria bullying – na época nem se chamava assim.

Ela também foi muito pressionada pela professora e agiu de forma agressiva. A professora chegou a pegar no braço dela com força e colocá-la dentro da secretaria atrás de um guarda-roupa”, recorda.

A adolescente já teve acompanhamento de psicólogo por quatro meses e a mãe pretende fazer com que a jovem receba novo acompanhamento.

Após voltar da delegacia, na quinta-feira, a garota fez diversas anotações e jogou no lixo em seguida. Sua genitora recolheu os papéis hoje. “Eu senti que era o que ela queria ter dito na delegacia.

Ela comenta que acha tudo isso uma palhaçada, que não está nesse jogo e que o ela faz o que quiser com seu corpo”, disse sua mãe. “Isso é muito preocupante. Eu sou dona de casa e já encontrei minha filha nesse estado. Imagina para as famílias que são mais ausentes. Os pais precisam estar atentos”, ela conclui.

Em Pernambuco, oito casos são investigados, sendo seis pela Polícia Civil e dois pela Polícia Federal. Joselito Kehrle diz que dois ou três curadores já foram identificados e que um é da Bahia e outro do Ceará.

A Polícia Federal em Pernambuco (PF-PE) conta que desde que começou a fazer palestras sobre o tema em prefeituras e escolas, por exemplo, as denúncias diminuíram em 80%.

Os envolvidos nesse crime responderão pelo que consta no Artigo 122 do Código Penal, que se refere a instigar alguém ao suicídio. O indiciado pode pegar até 12 anos de reclusão. 

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